top of page

Luto por expectativas não cumpridas: como lidar com a dor

  • Foto do escritor: Laura Helena Martins
    Laura Helena Martins
  • 3 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de jul. de 2025

Luto pelas expectativas não cumpridas: quando a vida não segue o plano

Você já se pegou sofrendo por algo que não aconteceu? Um sonho que não se realizou, uma carreira que não avançou, um relacionamento que não virou o que você esperava? Às vezes, sentimos uma dor profunda por tudo aquilo que idealizamos — e que a realidade não entregou.

Esse tipo de sofrimento é legítimo - luto por expectativas não cumpridas. Mesmo que ninguém tenha partido, você sente que algo importante foi perdido — talvez uma parte de quem você imaginou que seria.

Neste artigo, vamos refletir sobre essa dor silenciosa, à luz do pensamento do filósofo Martin Heidegger, e conversar sobre como a psicoterapia pode ser um espaço para reconstruir sentido, quando os planos falham.


Quando o que não aconteceu também dói

Vivemos cercados de metas, projeções e ideias de futuro. Planejamos a profissão, os relacionamentos, a forma como gostaríamos que a vida fosse. Mas a realidade nem sempre segue esse roteiro — e quando ela se desvia, pode deixar um vazio difícil de explicar.

Esse luto pode surgir:

  • Após não passar em um concurso ou seleção importante;

  • Com o fim de um relacionamento que parecia promissor;

  • Ao perceber que uma escolha de carreira não trouxe realização;

  • Com o tempo passando e certos marcos de vida não se concretizando.

Você não está “sofrendo à toa”. Está enlutado por uma versão de vida que desejava — e isso merece escuta e cuidado.


Heidegger e a ideia de projeto: viver é sempre inacabado

Martin Heidegger propôs que o ser humano é um “ser em projeto” — ou seja, estamos sempre nos construindo em direção ao que queremos ser. A existência, para ele, é movimento, não uma forma fixa.

Quando um projeto de vida falha, não estamos apenas lidando com uma mudança de rota — estamos lidando com o desmonte de uma identidade que vínhamos cultivando. E isso provoca angústia, sensação de perda e, muitas vezes, desorientação.

Mas Heidegger também nos lembra que viver de forma autêntica não é seguir um plano rígido, e sim responder com verdade ao que o momento nos exige. O sofrimento pelas expectativas frustradas pode, paradoxalmente, nos aproximar mais de nós mesmos — se olharmos com coragem.


O que você faz com a dor do que não foi?

Você pode se perguntar:

  • Por que isso ainda me machuca tanto?

  • O que eu esperava que acontecesse e não aconteceu?

  • Existe algo que preciso aceitar para conseguir seguir?


Sofrer por sonhos não realizados não significa fraqueza — significa que você se importava. Mas também é um convite: recomeçar com mais verdade, talvez por um caminho que você ainda não considerou.



Psicoterapia: um espaço para elaborar perdas que ninguém vê

A psicoterapia é um lugar onde você pode falar sobre essas dores invisíveis — aquelas que muitas vezes nem você sabe nomear. É um espaço de escuta e reconstrução.

Com o tempo, o processo terapêutico pode te ajudar a:

  • Elaborar o luto por projetos e versões de si que não se realizaram;

  • Compreender o impacto dessas perdas silenciosas;

  • Redefinir objetivos com mais autenticidade;

  • Acolher a si mesmo mesmo em meio às incertezas.


Você ainda pode reescrever o que esperava de si

Talvez o que você perdeu, mesmo que tenha doído, também tenha aberto espaço para algo que você ainda não conseguiu enxergar. Isso não apaga a dor — mas pode transformá-la.


Se você sente que está preso a algo que não aconteceu, a psicoterapia pode ser um caminho para transformar esse luto em presença, escolha e possibilidade.

 
 

contato: 55 21 99xxxxxx

bottom of page